Como consequência da intervenção do governo em decidir o que é justo, haverá uma nova vaga de desempregados graças ao salário mínimo no sector de fast food. A cadeia de restaurantes Wendy’s está a planear instalar quiosques de pedido automático (semelhantes aos que encontramos no McDonalds em Portugal) em 1000 Restaurantes – 16% dos estabelecimentos em toda a América.

“O ano passado foi difícil – 5% de inflação salarial”, disse Bob Wright, COO da Wendy’s, durante a sua apresentação aos investidores e analistas, a semana passada. Acrescentou ainda que a empresa espera uma subida de salários de 4% para 2017. “Mas a verdadeira questão é o que estamos nós a fazer quanto a isso?”

Wright salientou ainda que nos últimos dois anos, a Wendy’s descobriu como eliminar 31 horas de trabalho semanais dos seus restaurantes e que se encontra a trabalhar na integração de tecnologia, como quiosques de pedido automático, para o aumento da eficiência

wendy's salário min

David Trimm, CIO da Wendy’s, afirmou que esta procura por soluções tecnológicas pretende atrair não só clientes mais jovens, como também reduzir custos de mão de obra – i.e. redução no número de colaboradores – garantindo, ao mesmo tempo, maior eficiência no atendimento e na produtividade do restaurante.

Como relatado pela Dispatch.com, o gigante de hambúrgueres sedeado em Dublin (Ohio) começou a disponibilizar quiosques o ano passado, e a procura tem sido alta tanto da parte dos franchisees como dos consumidores.

“Há uma enorme pressão por parte dos frachisees para obter esta tecnologia,” disse David Trimm a semana passada durante o encontro de investidores. “Com esta procura é expectável que tenhamos cerca de 1000, ou mais, restaurantes a usar os quiosques”.
Uma loja consegue adquirir três quiosques por 15 mil dólares. O que, segundo Trimm, seria um investimento que se pagaria a si mesmo em menos de dois anos, graças à redução em custos salariais.

Bem, estes tipos de alternativas não eram nada expectáveis? (ou se calhar até eram…). As políticas de salário mínimo – apesar de publicitadas como uma espécie de “principio” da justiça social – não produzem os resultados “vendidos” pelos políticos que as defendem – servem apenas para conquistar o voto da população economicamente iliterada.  

Como escreveu o Bernardo Blanco, “Para além de colocar pessoas já pobres no desemprego, ainda torna mais complicado o acesso ao mercado de trabalho para os menos qualificados e para os mais jovens, porque estes não têm experiência e também não a conseguem ganhar. “Isto é um máximo! Vou receber mais 100€”. Não, vais para a rua.“

“O salário mínimo, na realidade, é uma lei que torna ilegal um empregador contratar alguém com um conjunto de skills limitado” Milton Friedman, Nobel da economia em 1976


Esta substituição gradual de trabalhadores por máquinas iria acontecer na mesma? Possivelmente iria. É com este processo de constante inovação, aumento da eficiência e consequentemente aumento de produtividade que há verdadeiro crescimento. O que o salário mínimo faz é acelerar este processo de substituição, colocando assim jovens com poucas qualificações e inexperientes que trabalham nestas cadeias no desemprego, sem rendimento para ajudar aos estudos ou as famílias e sem possibilidade de ganhar experiência para depois sair para trabalhos com melhor remuneração.

Apesar da evidência de que um aumento artificial do salário mínimo pode ter graves consequências na economia e na sociedade como o aumento do desemprego ou diminuição do emprego, nem os políticos nem os media parecem interessados em largar a sua “agenda” de interesses. Afinal de contas, é muito mais fácil vencer eleições prometendo dar em vez de tirar, e, no fim, quando as coisas correrem mal culpar os que arriscaram, os que produziram, os que inovaram… 

(Artigo adaptado de “Minimum Wage Massacre: Wendy’s Unleashes 1,000 Robots To Counter Higher Labor Costs”)

João Pedro Almeida

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