O 25 de Abril deu origem a uma mini Revolução Francesa à portuguesa: a tentativa de substituir um regime autoritário por outro aqui em Portugal. Felizmente, ao contrário da Revolução Francesa, a nossa acabou cedo (e sem grande conflito armado) com o 25 de Novembro de 1975, o qual nos salvou de uma guerra civil e do início de uma possível ditadura comunista (desculpem a redundância).

Foi também a partir do 25 de Novembro, talvez uns meses antes, que muitos na altura auto-intitulados comunistas perceberam que o comunismo era apenas outro totalitarismo e a partir daí deixaram de ser comunistas e passaram a ser sociais-democratas, democratas-cristãos, conservadores, liberais, etc. (também ajudou irem progressivamente sabendo e alguns vendo o que se passava na União Soviética nos anos seguintes).

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E agora? Se somos livres como os liberais gostariam? Não. Basta olhar, por exemplo, para a nossa liberdade económica, directamente correlacionada com a prosperidade, e comparar com países como a Suíça, Austrália, Nova Zelândia, UK, USA, etc.. Estamos muito atrás. O que os partidos desde o 25 de Abril fizeram neste campo foi continuar, quiçá piorar, a política intervencionista do Estado Novo até ao momento em que nos juntámos à UE (não esquecer que em menos de dez anos depois da Revolução de 1974 já tínhamos precisado de ajuda externa duas vezes, em 1977 e em 1983).

Mas é um problema não só político, mas também (ou será mesmo por isso?) de mentalidade e educação. O português gosta muito do Estado Papá sobretudo quando é para tirar aos outros e dar a si, para beneficiar uns onde se inclui em detrimento de outros, para controlar a vida dos outros, isto vale quer para a nossa esquerda quer para a nossa “direita” e é provavelmente um dos motivos pelos quais há pouquíssimos adeptos do Liberalismo Clássico em Portugal.

A Liberdade é reclamada por todos, mas ninguém a quer ver em prática.

Para concluir, não alinho com reaccionários saudosistas de direita nem com revolucionários utópicos de esquerda. Uns pretendem voltar a um passado ideal, que nunca existiu, e outros pretendem impor à força um futuro perfeito alienado da realidade, que nunca existirá (ainda se ouve constantemente falar em “cumprir Abril”). Sou pela liberdade, com a responsabilidade e prudência que a acompanham lado a lado. Com o 25 de Abril, com o 25 de Novembro e, posteriormente, com a nossa entrada na UE (com todos os defeitos que possa ter) somos mais livres.

Bernardo Blanco

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