Trabalhar menos, produzir mais. O mistério da incorporação de bens de capital no trabalho… embora toda a gente saiba que uma ferramenta na agricultura multiplica infinitamente a produção relativamente a mãos vazias. É a mesma coisa!

O que permite incorporar ferramentas no trabalho? Poupança e Lucros. É um pleonasmo porque ambos significam em substância a mesma coisa, o que sobra da nossa produção porque não a consumimos totalmente, e que incorporamos em mais e melhores bens de capital. Ou ferramentas.

Assim, o que é preciso para acumular capital onde ele não existe? Actividades que dêem lucro. É o mesmo que poupança. Quer empresas quer as famílias ou um simples Crusoe numa ilha deserta. E qualquer nação tem a capacidade de aumentar o stock de bens de capital, mesmo isolada e partindo da sua total ausência. Só tem de acumular e incorporar lucros, ou seja, poupança,  conseguidos com o acordo voluntários dos clientes e consumidores e que são na verdade, ao mesmo tempo, trabalhadores.

E, ainda que a inovação tenha um grande papel, a verdade é que mesmo que a capacidade de inovação parasse por completo, existe ainda um quase infinito plano de incorporação de capital possível com o actual, ou com um qualquer determinado, estágio fixo de conhecimento técnico e científico que permitiria aumentar ainda em muito a produtividade e nível de vida. Quanto mais com a inovação a acelerar esse processo.

PS: alguma críticas – mais instintivamente elaboradas do que objectivas – contra a acumulação de “capital” são dirigidas ao que chamam de “financeirização” da economia. Essa crítica deve ser dirigida ao nosso sistema monetário onde os bancos criam crédito do nada em vez de intermediarem poupança monetária prévia.

Carlos Novais

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