Hayek é o autor mais conhecido da Escola Austríaca de Economia.

Hayek deixou de ser um socialista fabiano depois de ler a obra Socialism de Mises e a partir daí começou a ser grande defensor do liberalismo clássico, sem grandes amores pela democracia por si mesma, apesar de a defender, e fortemente a favor da descentralização e da tradição (apesar de como ele próprio escreveu não ser um conservador). Foi  professor da London School of Economics (período no qual teve grande debates com Keynes) e Prémio Nobel da Economia em 1974.

Hayek foi um grande académico, produziu dezenas de obras (Economia e Ciência Política) e tornou-se tão conhecido, sobretudo com o seu livro Caminho para a Servidão, apesar de na minha opinião ter melhores como os volumes de Lei, Legislação e Liberdade (admito que menos comerciais), que influenciou fortemente vários políticos. Os políticos mais influenciados por Hayek foram:

Ronald Reagan – U.S. President

Margaret Thatcher – British Prime Minister

Vaclav Klaus – Czech Prime Ministe

Leszek Balcerowicz – Polish Deputy Prime Minister

Mart Laar – Estonian Prime Minister

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Reagan e Hayek

É de referir que na década de 80 Hayek era lido às escondidas na União Soviética, os seus livros vendidos no mercado negro lá e por isso não é de admirar que os países bálticos tenham sido fortemente influenciados por si. As influências obviamente mais conhecidas são em Thatcher e Reagan (apesar destes dois nem sempre, infelizmente, terem seguido os princípios liberais). Deixo de seguida duas passagens curiosas que revelam bem a influência que Hayek teve em ambos. No fim acabo com uma reflexão sobre Hayek e os políticos.

Primeiro as senhoras:
“Outro colega também tinha preparado um paper a defender que o middle way era o caminho pragmático que o partido Conservador deveria seguir… Antes dele acabar de falar sobre o seu paper a nova líder do partido [Margaret Thatcher] foi à sua pasta e tirou um livro. Era o The Constitution of Liberty de Friedrich von Hayek.  Interrompendo (o orador), ela segurou no livro ao alto para todos nós vermos. “Isto”, disse ela firmemente, “é aquilo em que acreditamos” e bateu com o livro em cima da mesa” (John Ranelagh, Thatcher’s People:  An Insider’s Account of the Politics, the Power, and the Personalities.  London:  HarperCollins, 1991).

Depois os senhores:
“Rowland Evans: “Que pensadores filosóficos ou escritores mais influenciaram a sua conduta como líder, como pessoa?” Ronald Reagan: “Bem.. Eu sempre fui um leitor voraz – Eu li as posições económicas de von Mises e Hayek e… Bastiat. Eu sei sobre Cobden e Bright em Inglaterra – e a eliminação das Corn Laws e adiante, e a grande explosão da economia e da prosperidade em Inglaterra que se seguiu ” (Rowland Evans & Robert Novak, The Reagan Revolution, New York: E. P. Dutton, 1981, p. 229).

E para acabar sobre Hayek:
“Apesar disto, ele (Hayek) diz que as políticas de Reagan e Thatcher são “tão razoáveis como se pode esperar nesta altura. Eles são modestos nas suas ambições”. Modéstia. A capacidade para entender que políticos bem intencionados – e os seus conselheiros, os intelectuais –  irão apenas provocar prejuízos caso tentem dirigir o desenvolvimento económico: Este conceito antipolítico está no coração da teoria de desenvolvimento económico e social de Hayek”. (Interview of F. A. Hayek, Forbes, May 15, 1989)

Este final fez-me recordar que, para mim, inspirado talvez em Hayek, independentemente de podermos gostar de uns políticos e de outros não ou mais de uns que de outros, não deve haver um político ídolo, nem político algum deve ser o nosso deus e, por isso, lembrei-me do capítulo 10 do livro de Hayek The Road to SerfdomWhy the worst get on top. Nem sempre acontece, mas é o mais frequente.

Bernardo Blanco

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