Os princípios fundamentais da economia são simples

O que faz da economia algo fascinante é que seus princípios fundamentais são tão simples, que podem ser escritos em uma única página, de modo que qualquer um consiga entender. No entanto, são poucos os que entendem. — Milton Friedman

1. Interesse próprio: o desejo de melhorar a nossa condição vem connosco desde o útero e jamais nos abandona até irmos para o túmulo (Adam Smith). Ninguém gasta o dinheiro dos outros com o mesmo cuidado com que gasta o seu próprio dinheiro. 

2. Crescimento económico: a chave para um padrão de vida mais elevado é expandir as poupanças, a acumulação de capital, a educação e a tecnologia.

3. Comércio/Mercado: Em todas as trocas voluntárias, onde informação correcta é conhecida, tanto o comprador como o vendedor ganham; portanto, um aumento no comércio entre indivíduos, grupos ou nações beneficia ambas as partes.

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4. Concorrência/Competição: Dada a existência universal de recursos limitados e necessidades ilimitadas, a concorrência existe em todas as sociedades e não pode ser abolida por decreto do governo.

5. Cooperação: Visto que a esmagadora maioria dos indivíduos não é auto-suficiente, e quase todos os recursos naturais têm de ser transformados para se tornarem utilizáveis, indivíduos — trabalhadores, proprietários de terra, capitalistas e empreendedores — têm de trabalhar em conjunto para produzir bens e serviços valiosos.

6. Divisão do trabalho e vantagem comparativa: Diferenças de talento, inteligência, conhecimento e de propriedade levam à especialização e à vantagem comparativa de cada indivíduo, empresa e nação.

7. Dispersão do conhecimento: A informação sobre os comportamentos de mercado é tão diversa que não pode ser capturada e calculada por uma autoridade central. 

8. Lucro e prejuízo: Lucro e prejuízo são os mecanismo de mercado que guiam o que deve e o que não deve ser produzido no longo prazo.

9. Custo de oportunidade: Tendo em conta a limitação de tempo e recursos, há sempre trade-offs na vida. Se queres fazer alguma coisa, tens de abdicar de outras coisas que também desejas fazer. O preço que pagas por te envolveres numa actividade é igual ao custo das outras actividades de que abdicaste.

10. A teoria dos preços: Preços são determinados por valorizações subjetivas de compradores (procura) e vendedores (oferta), não por um custo objetivo de produção; quanto maior o preço, menor é a quantidade que os compradores estarão dispostos a comprar e maior é a quantidade que vendedores estarão dispostos a vender.

11. Causalidade: Para cada causa há um efeito. Acções efectuadas por indivíduos, empresas e governos têm um impacto sobre outros actores da economia que pode ser previsto, embora o nível de previsibilidade dependa da complexidade das ações envolvidas.

12. Incerteza: Há sempre um grau de risco e incerteza sobre o futuro, porque as pessoas estão constantemente a reavaliar, a aprender com os seus erros, e a mudar de opinião, o que torna difícil a previsão do seu comportamento no futuro. 

13. Economia do Trabalho: Salários maiores só podem ser alcançados a longo prazo através de um aumento da produtividade, i.e., aplicando mais investimento em capital por trabalhador; desemprego crónico é causado pelo governo ao fixar salários acima do nível de equilíbrio de mercado.

14. Controlos governamentais: Controlos de preços, de rendas e de salários podem beneficiar alguns indivíduos ou grupos, mas não a sociedade como um todo. No fim, eles criam escassez, mercados negros e a deterioração de qualidade e de serviços. Não existem almoços grátis. 

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15. Dinheiro: Tentativas deliberadas de desvalorizar a moeda do país, baixar artificialmente taxas de juros, e adoptar políticas de crédito fácil (barato) inevitavelmente levam a inflação, ciclos económicos (boom-bust cycles) e crise económica. O mercado, não o estado, deve determinar o que é o dinheiro e como deve ser o crédito.

16. Finanças públicas: Em todas as administrações públicas, tendo em vista a manutenção de um nível alto de eficiência e de boa gestão,  os princípios do mercado devem ser adoptados sempre que possível: (1) O governo deve tentar fazer apenas o que a iniciativa privada não consegue fazer; o governo não deve envolver-se em negócios que a iniciativa privada pode fazer melhor; (2) o governo deve viver dentro das suas possibilidades (3) análise custo-benefício: os benefícios marginais devem exceder  os custos marginais; e (4) o princípio da responsabilidade: aqueles que beneficiam de um serviço devem pagar por esse serviço.

Traduzido e adaptado deste artigo de Mark Skousen.

Bernardo Blanco

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