Apesar de em conflito, de manifestações e contra manifestações, parte da chamada alt-right, que muitas vezes ostenta símbolos nazis e fascistas nos EUA e defende a supremacia de uma raça, e a alt-left, que muitas vezes ostenta símbolos comunistas nos EUA, têm muito mais em comum do que pensam, tal como as pessoas que começaram aquilo que eles (ou por burrice ou por ignorância) agora pregam ou pedem também tinham.

Marx e Hitler, pais do Comunismo e Nazismo (que vem das palavras Nacional Socialismo), tinham diferenças, mas também bastantes semelhanças.

Ambos propunham projectos revolucionários, utópicos, supostamente perfeitos, violentos, o fim de muitas coisas que tinham mostrado a sua validade ao passar os testes do tempo, queriam controlar o mercado, a reorganização e controlo da vida social (de tudo o que vinha da ordem espontânea de Hayek e dos pequenos pelotões de Burke – família, religião, associações, etc.) e o fim, através da força, da propriedade privada e de certas “classes” (a burguesia, os judeus, etc.). Quem melhor explicou isto terá sido, já com a Segunda Grande Guerra a chegar ao fim, F. A. Hayek, em O Caminho para a Servidão.

A diferença era que o socialismo nacionalista do fascismo e do nazismo contentava-se em permitir a existência de empresas “privadas” – ao contrário dos socialistas internacionalistas e comunistas da União Soviética – desde que estas fossem dirigidas, controladas e microgeridas por políticos através de todo o tipo de regulamentações, controlos, subsídios, bailouts e impostos.

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Observemos agora estas passagens:

Marx, em o Manifesto Comunista:

“A abolição [da sociedade burguesa] é chamada pelo burguês como abolição da individualidade e da liberdade. Com toda a razão. O que temos em vista é a abolição da individualidade burguesa, da independência burguesa e da liberdade burguesa. Nas presentes condições de produção burguesas, liberdade significa comércio livre, liberdade de vender e de comprar. […] O proletariado usará a sua supremacia política para retirar gradualmente todo o capital à burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado em classe dominante.”

Mussolini, em A doutrina do fascismo:

“A concepção fascista é a favor do Estado; e é a favor do indivíduo na medida em que este coincide com o Estado, que é a consciência e vontade universal do homem na sua existência histórica. […] O fascismo é a favor da liberdade, da única liberdade que pode ser real, a liberdade do Estado e do indivíduo no seio do Estado. […] Por isso, para o fascista, tudo está no Estado e nada de humano ou espiritual existe, muito menos tem valor, fora do Estado. Neste sentido, o Fascismo é totalitário e o Estado Fascista — a síntese e unidade de todos os valores — interpreta, desenvolve e dá força à totalidade da vida do povo.”

Hitler, no Discurso do Dia do Trabalhador em 1927

“Nós somos socialistas e inimigos do sistema económico capitalista actual, feito para a exploração dos economicamente frágeis – com os seus salários injustos, com a sua indecorosa avaliação do ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade, em vez da responsabilidade e desempenho. Estamos determinados a destruir este sistema a todo custo.”

Não é certamente por acaso que uma grande parte dos países que viveu quer sob o Comunismo quer sob o Nazismo proíbe ou já teve propostas de leis que proibiriam a utilização de símbolos ligados a alguma destas ideologias (ver aqui), porque viveram em regimes totalitários, sem liberdade quer social quer económica, que levaram a dezenas e dezenas de milhões de mortes (ajudem a Victims of Communism Memorial Foundation).

Bernardo Blanco

One thought on “Comunismo e Nazismo: tudo a mesma…

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