Só o livre mercado permite o aumento sustentado dos padrões de vida. A hidra socialista, nas suas múltiplas aparições, nada pode criar, restando-lhe parasitar.

É patética a atitude dos auto-proclamados progressistas / socialistas modernos que, quando confrontados com o estrondoso falhanço económico e social de toda e qualquer experiência de socialismo – seja o “científico”, também conhecido por “real”, seja o populista / caudilhista de retórica anti-imperialista – ao invocar os “erros” cometidos pelos seguidores do líder fundador (esse sim imaculado), daí tentando inculcar a esperança que “da próxima é que será”.

A doutrina do “socialismo do século XXI”, uma praga que enxameia a América do Sul e a que não escapam países europeus (Grécia, Espanha e Portugal) nascida a partir do Foro de São Paulo, sempre que levada à prática, acabará, mais cedo ou mais tarde, na maior das misérias, na violência, sob o comando de uma casta que vive no fausto enquanto prega a frugalidade e culpa o imperialismo por nada haver nas prateleiras para comprar.

Já relembrei que em pleno ano de 1974, antes do congresso que se iria realizar em Dezembro, se gritava a plenos pulmões nos comícios do PS: “Partido socialista, partido marxista!” Dir-me-ão que isso era o resultado da “longa noite fássista” (e sê-lo-ia em parte) mas ainda em 1981, Mitterand foi eleito segundo uma radical plataforma de nacionalizações e “regulação estatal”. Era o tal do “socialismo democrático” em acção. Mas, perante as dificuldades, já em 78 Mário Soares reconhecia a necessidade de meter o “socialismo na gaveta” e Mitterand faria o mesmo apenas dois anos depois de ser eleito. Na Suécia, as dificuldades cresciam sob Olof Palme (socialismo de expressão social-democrata) em meados da década de 80 e explodiriam no início da década seguinte.

É assim que irão surgir as “terceiras vias”, quais quadraturas de círculo, onde genericamente se reconhece ao Plano estatal o estatuto de defunto (de que ainda sobram entre nós, por imperativo constitucional, as gongóricas “Grandes Opções do Plano”) e que é necessário dar liberdade ao sector privado (Reino Unido, Suécia e restantes países nórdicos, Alemanha e, posteriormente, os países do Leste europeu) até para manter durante mais algum tempo a ilusão do “estado social”.

Tivessem lido Ludwig von Mises logo em 1920 e teriam percebido que o socialismo (na altura entendido como um sistema em que os meios de produção eram públicos) levaria ao desastre económico (o que ficou conhecido como o Problema do Cálculo Económico sob o Socialismo) pelo facto de os preços deixarem de sinalizar informações económicas – escassez / abundância, oportunidade de lucro / abandono de actividade – e se transformarem em meros “sinais” administrativos. Goering, durante o III Reich nazi, também decidia quais os preços que se deveriam praticar na sua qualidade de Comissário para o Controlo de Preços (Reichskommissar für Preisüberwachung).

Eduardo Freitas

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